
Um sorriso se abre esticando um horizonte tão vasto que não consigo alcançá-lo nem em pensamento. Quero me entregar à esta nova dúvida com a certeza de não mais querer ilusórias certezas... Mas no fundo minha aventura precisa mesmo de certezas neste momento de tamanhas vertigens. Quanto desta imensidão caberá no meu infinito vazio particular?
Meus passos agora são lúcidos, objetivos e discretos. Mal me reconheço não fosse a típica beleza nas paisagens ao meu redor. Respiro sem pressa, saboreando os novos ares como se fossem inéditos: não são. Sinto saudade desse ineditismo e percebo aos poucos o inóvil das novas novidades que me cercam. Não sei se é uma floresta adornada de encantos ou se trata-se de um jardim naturalista muito organicamente bem projetado. No entanto há um iluminado caminho que assusta de tão convidativo. Me sinto em paz e isso me dá um medo, mas não me desespero como de costume. Vejo a oportunidade de ser corajoso, sabedoria eternamente em aprendizado. E minha tranquilidade contamina qualquer percepção que eu tenha desta irreconhecível realidade novamente jovem.
No entanto uma expectativa furtivamente me surpreende. Quero abrir ao máximo as cortinas do quarto mais alto pra tentar reter a imensidão desse horizonte que me escapa. Mas não existem cortinas no terraço e é lá que estou, a luz quase me cega mas é boa, o vento tenta me derrubar mas me sinto bem com sua resistência, me colocando vigilante e atento, vivo, sensível, perigosamente livre. Fecho os olhos e a maresia parece correr em meu sangue, respiro fundo, desejo ficar ali e apenas esperar, aproveitar o que de melhor posso desfrutar e me permito um silêncio de pensamentos.
Sim, estou cauteloso, me sinto estranhamente como se fosse visualmente permeável e me sinto estranho mas, ainda sim, me sinto eu.
imagem de Marina Papi

<3
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