perguntinha retórica:

Quem criamos a criatividade?

PERGUNTO:

Com quantos mistérios se faz um ser humano?

... nem contra e nem a favor, muito pelo contrário ...

.... ... .... ....... ... .... ....... ... .... ....... ... .... ....... ... .... ...

“Não_é_demonstração_de_saúde_ou_sucesso_ser_bem_ajustado _a_uma_SOCIEDADE_PROFUNDAMENTE_DOENTE."

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sabedoria hipotética:

"Entre_os_concientes_e_os_loucos
existe_um_abismo,
mas_as_pessoas_normais
estão_no_meio_dele."
-_Vict0r_Ram0s_Mell0_-


A DIFERENÇA PRINCIPAL ENTRE EU E OS COMPLETAMENTE LOUCOS É A CONSCIÊNCIAS DAS MINHAS INÚMERAS LOUCURAS

quarta-feira, 19 de maio de 2010

DECIFRA(r)_ME(?)


um breve prólogo acidental:
"...e de repente meus pés pousaram lentamente por sobre aquela melodia, podia deslizar naquele som, sentia o mar infiltrando-se na areia, era como se meus pés por alguns instantes fossem toda uma praia, não pude evitar toda aquela vitalidade e paisagens surgirem irradiando essa beleza, que de tão grande, equilibrou-se homeostaticamente numa melancolia doce, só pra construir no imediato espanto aquela saudade óbvia que então nascia, uma saudade incomensurável, uma dor de alegria que é incabível, uma lenta epifania, a constatação presente do que é inesquecível..."


não sei desde quando

mas sei que enquanto ando
ouço esse soluço, este enigma e esse encanto
que explode em cores no mundo
mas que vem bem la do fundo
do desconhecido habitando em mim...

não sei ainda o exacto, não por enquanto
onde vou só me sei mesmo amando
mesmo seguindo rastros deste som de oceano
que ecoa num mistério profundo
e também é meu mais íntimo mundo
minha busca e meu enigma particular e sem fim...

águas que vêm, e águas que vão...
e essa música e essa dança
o estranho ruído, chuva de verão

águas que sentem, águas que são
e sensações me percorrendo, infância
mar tempestuoso que é a emoção

mas são desertos que atravesso, eu não me engano
medo, mistério e mar sem que eu perceba vão se misturando
e confiante eu ando, eu canto e como eu ando
onde sei que indo sempre estou, eu sou o admirando

e eu não sei mesmo o que é que mesmo livre .... ....
e eu não sei mesmo quem sou que mesmo livre ... ...
e eu nem sei se sei onde estou ou o que me vive ...
... me livre ... me livre ... me vive, deslize, deslivre, relivre...

uma presença inquieta e muda
me muda... muda... e me cresce
aquece, esquece e permanece
no misterio que envolve, guia e ajuda
eclode-me do imaginário o que ele promete
e do sonho vivo o encontro da realidade pura
a vida que de tanta vida e por amor merece
no espanto de beleza que admira se estremece



não sei desde quando
mas sei que enquanto ando
ouço esse soluço, este enigma e esse encanto
que explode em cores no mundo
mas que vem bem la do fundo
do desconhecido revelando-se enfim

não sei ainda, vivo o fato, o agora por enquanto
onde vou só me vivo mesmo quando vivo amando
mesmo seguindo rastros deste som de oceano
que ecoa num mistério profundo
e também é meu mais íntimo mundo
minha busca e meu enigma particular e sem fim...



Poesia concebida à base de uma improvisação melódica de inspiração diretamente vinculada às sensações despertadas pela canção "Gymnopedie Nº. 3" de Erik Satie, versão interpretada nas mãos do "escultor-de-vida-sonora" em Violoncelo, Hudson Lima. Dedico a poesia ao encanto da inspiração do músico-compositor que re-criou essa obra-prima do universo musical.

OBRIGADO

Uirá Felipe

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ESBOÇO

















Com medo de congelar diante da frieza do mundo
decidi nascer já sabendo fazer meu próprio fogo
mas a fúria ao redor é um labirinto tão profundo
que me queimo todo tentando entrar nesse jogo..

Queria saber usar os talentos todos em conjunto
ou saber qual deles não será mais um engodo
Minha mente só funciona com o coração junto
mas é tanta emoção, já nem sei como não explodo..

terça-feira, 11 de maio de 2010

LEMBRETE

















Aprender logo, desde antes
o mais rápido possível
que muito provavelmente
não há o que aprender,
nem há nada de incrível
nos incapazes de te perceber,
te ouvir e aprender com você..

Arte fina, aprender é essencialmente solitário
E fundamentalmente plural é ensinar
Ensina quem torna real o que era imaginário
e só aprende, quem aprende a ensinar

Gostoso é fazer multiplicar, sem destinatário
somar conhecimento e espalhar
arriscar uma platéia, monumental
tirar de cada idéia, seu potencial, incendiário

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Memórias na _essência_ de hoje..














Eu cresci acreditando

que policiais, esportistas, aviadores,

astronautas, artistas, cantores

eram heróis, todos do bem

Cresci acreditando que o bem vence o mau

e hoje não acredito em bem total, nem nada é mau


Cresci acreditando que a novela era quase real

mas tinha muito medo de acreditar em espíritos

nunca gostei de fantasmas, etc e tal

tentei crer só em resultados empíricos

mas hoje aceito todo o mistério astral

porque não posso escapar dessas memórias

que não escolhi mas vivi, visceral


Cresci rodeado de tantas absurdas histórias

procurei acreditar em todas

mesmo que por alguns instantes

Sempre fui louco o suficiente

pra levar a sério uma brincadeira

mergulhando sempre de alma quente

e apontando o incrível da besteira


Cresci inventando realidades,

voando com pipas, conversando com cavalos

fazendo amigos em todos os lugares

e depois chorando por não poder reencontrá-los

fiquei ao lado de vira-latas até poder amá-los

e gargalhei com formigas, folhagens avermelhadas

pés de goiaba e amora saqueei, cresci livre

pulando muros atrás de pipas ou bochechas rosadas

inventando no agora tudo isso que tive

encontrando verdades, memorizando coisas inventadas

me fortalecendo e aprendendo a cada crise


Cresci rebelde, passando cerol na linha

temido no céu, imbatível no mar

Inventei troféu pra bolinhas de gude

e decidi que não existe competição entre as ondas

E fiz de uma poça d'água um açude

Criei e vivi paixões em vilarejos e cidades

com areia molhada, esculpi como pude..

Adorava colorir histórias, inventar saudades

complicações que curavam minha inquietude


Cresci meio fora do ninho, meio sem pai

meio sem mãe, tive muitas famílias adotivas

só não fui adotado ainda

por minha própria família..

que sempre tenta me acordar

Talvez eu tenha fugido de casa bem cedo

só não tinha pra onde ir e fui ficando por aqui mesmo..


Hoje penso que cresci pouco, mas pensando muito

epifanias sobre tudo o que me aconteceu..

Sinto que ainda tem tanto que não conheci

há tanto me esperando para ser visto, lido, vivido..


Na realidade já nem sei mais se de fato cresci..

E só o que acredito mesmo é que nunca estarei crescido..


livre e diretamente inspirado na poesia MEMÓRIAS II de M.L.

( http://voilamonessence.blogspot.com/ )

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Auto-Análise













































Vivi momentos tão completamente belos
o esplendor e o encanto sempre preencheram os dias de toda minha vida..

foi sempre assim..

.. como se eu tivesse nascido com um imenso privilégio
Como ser desde sempre um Rei
sem ter precisado ser antes um príncipe para isso..

Hoje todas as estradas parecem árduas e penosas
dignas para alguém mais iluminado que um generoso rei ...

É como se não existisse mais nenhum caminho
que me levasse de volta para uma vida de Luz..

só ouço guerras à minha volta
e só quero ser guerreiro
com versos cantados e notas musicais
minha coragem e honra têm outro valor..

pequei quando estive a procurar o Amor
e ao invés de vivê-lo.. procurava o caminho capaz..

Talvez realmente nunca tenha existido esse caminho..

Porque agora percebo com clareza
quando a luz está em meus próprios olhos
ela cintila minha imaginação, minha natureza
meu entusiasmo encontrado

Só assim saberei com certeza
não importando onde eu vá ou esteja
serei meu próprio caminho, iluminado..