perguntinha retórica:

Quem criamos a criatividade?

PERGUNTO:

Com quantos mistérios se faz um ser humano?

... nem contra e nem a favor, muito pelo contrário ...

.... ... .... ....... ... .... ....... ... .... ....... ... .... ....... ... .... ...

“Não_é_demonstração_de_saúde_ou_sucesso_ser_bem_ajustado _a_uma_SOCIEDADE_PROFUNDAMENTE_DOENTE."

................................................................................................................

sabedoria hipotética:

"Entre_os_concientes_e_os_loucos
existe_um_abismo,
mas_as_pessoas_normais
estão_no_meio_dele."
-_Vict0r_Ram0s_Mell0_-


A DIFERENÇA PRINCIPAL ENTRE EU E OS COMPLETAMENTE LOUCOS É A CONSCIÊNCIAS DAS MINHAS INÚMERAS LOUCURAS

terça-feira, 23 de novembro de 2010

eco-lógico


















Conhecimento natural
me sinto um eco
ecoando vagamente
um pouco de cada coisa
me sinto inédito e ao mesmo tempo
me sinto pura repetição
antecessor às modas
criação ecológica
dando lógica à ecologia
ecos way of life
ecôo ecos ecos..
eco lógico?
redundâncias à parte
é lógico ser ecológico...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Margens Tropicais














Poesias curvilíneas

contornos, verdes, miragens

quero fantasiar a realidade

Paisagismo de naturais selvagens

plantas na harmonia da vital guerra

quero o perímetro, livre

aberto onde se encerra

e rabiscar sonhos, identidades

Crio pra me reinventar

meu movimento não precisa

ser demonstrado por imagens

Será que alguém vê o magnetismo

que circunda meu corpo

meu conjunto de sensibilidades?

Sei que sim, real imaginário

tudo é invenção, é inventário

Essa vida de emoção e de linguagem

sou esquerdo num universo destro

venho da mais antiga linhagem

Meu lado humano é indígena

meu lado bicho está extinto

meu recanto é a margem...


imagem de Marina Papi

Desconsolo











Encontrei poesias rasgadas

montes de papel picado

espalhados debaixo de minha cama

estava à procura do que inflama

pra queimar minhas emoções, e arrancá-las

de mim, escama por escama

procuro minha nudez

mas encontro roupas velhas

roupas novas, esconderijos

quero correr pelo descampado

ser discreta evidência de passagem

e só fazer parte da paisagem

pra nas dúvidas me ser reencontrado

quero tantas coisas que

é difícil escolher o procurado

o motivo desconsolado

pra eu correr nu no descampado

Liberdade é não precisar

anseiar por liberdade

Estar livre é ter escolhas

e escolas acima das vontades

Inteligência!? Às vezes tão selvagem

Riqueza é reconhecer

o desconhecer que é toda a própria viagem...


imagem de Marina Papi

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reflito-me














Na imagem pouso meu olho

mesmo a paisagem que escolho

por mais inerte e sem vento

tem vida, vibra e é movimento

às vezes parece que não aguento

como se ver fosse pura miragem

Parece não me caber tal viagem

Na beleza de viver eu me recolho

Em meu ser parece que me encolho

O mundo todo é tão grande

Ou meu olhar é de criança?

A imaginação é que me expande

Pois respirar pra mim é dança

cada existência o todo abrange..


imagem de Marina Papi

ÁguArde











Todo dia é essa espera

esperando pra viver

um agora que não é agora

quero chegar

quero que todos cheguem

onde quer que vão

com tanta pressa

Porque os passos apressados

não vivem com antecedência?

Sonho em ver grandes avenidas

e pressas pequeninas

sonho ver pessoas reparando

umas nas outras

e nas árvores, e todas as coisas

Desejo ver sorrisos gratuitos

muitos, muitos!

E ver senhoras andarem de bicicleta

sonho com tanta coisa

só queria poder sonhar

sem ter que andar depressa!



imagem de Marina Papi

De repente










De manhã

com puta dor

de cabeça eu mergulho

no computador

depressa

rapidinho

e sem pressa

calminho

Ilógico?

Paradoxo é correr

se o sonho é mesmo ser

viver o próprio caminho

pródigo!?

sentir é pois.. pertencer

acompanhado sou mesmo sosinho


imagem de Marina Papi

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Blindagem
























Por onde ando não sei se piso
tenho estado sempre por alcançar
um lugar fugaz chamado passagem
(indecifrável?)
Nestes meus passos sou eu quem mando
o peso tanto, enfim, amenizo
deixando a vida me levar
vida, eu rogo, eleva eu!!
Abrindo caminhos novos àlguma viagem
(viável!)
Eu profetizo!
Os sonhos, encanto
e persistindo, concretizo
simplesmente ao aceitar
o natural irreparável, selvagem
(e inescapável)
Instintos?... Pedo a viola e canto
perco totalmente o juízo
e crio memórias para colecionar

imagem de Marina Papi

Acaso Inventado






















Escrevo porque me perdi
porque me meti em mentir
para mim mesmo
Escrevo à esmo
Tentando inventar o que sentir
Porque senti tanto
que nem que pudesse
seria capaz de admitir
seria impossível concluir
ainda
tento me explicar
e explico pra me tentar
Pois nada posso desfrutar
enquanto eu não souber
que somente ao sonhar
Vivo vivo, haja o que houver...


imagem de Marina Papi

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eterna fonte de pontos de interrogação






















Porque os insetos de hábitos noturnos se atraem tanto pela luz das lâmpadas e não se atraem com a mesma empolgação pela luz do sol?

Tantos mistérios são guardados pelo fenômeno da vida, que me sinto tão privilegiado quanto um elefante e sua vasta capacidade de memorização quando percebo que, não só em mim, mas em (quase) todos os seres humanos, há essa fundamental curiosidade pelos mistérios do fenômeno da vida, que acaba por nos levar a elaborar desde simples questões corriqueiras até elaborados questionamentos filosóficos e existenciais.

Adoro pensar por exemplo, nos segredos e potências que guardam o nosso infinito manancial de emoções. Porque seres humanos de hábitos tipicamente solitários, são incapazes de experimentar a genuína felicidade, senão, quando compartilhando com outro ser humano? De onde exatamente vem esse imenso desejo de expressar-se, de compartilhar subjetividades, de reforçar e recriar noções de identidade somente possíveis diante das diferenças que apenas a pluralidade do coletivo, em simbióticos intercâmbios culturais, consegue genuinamente atingir sua realização?

Muitas vezes gostaria de ser mais simples nesse universo de tantas e tamanhas complexidades. Será tudo tão densamente complexo quanto me parecem ser as nossas emoções, ou será que por desconhecermo-las adequadamente que projetamos portanto esta complexidade toda no universo que nos cercam os sentidos?

Estou tão feliz. Isso deveria-me ser a coisa mais simples e óbvia do mundo, já que estou assertivamente compartilhando experiências em comunidade. Mas algo insiste em não se dar por encerrado ao final de um intenso dia de muita alegria e realização espiritual, e uma série de questões que levam à outras e mais outras questões, como num dominó de progressões geométricas, não me permite sossegar meus pensamentos. E o entusiasmo inicial então se confunde com uma euforia intelectual, e assim a serenidade se dissipa, levando com ela aquela aparentemente infinita sensação de felicidade da comunhão e nutrição amorosa na qual estou imergido.

Afinal de contas, a luz em demasiada abundância, em certo ponto, nos impede de enxergar claramente, podendo até cegar-nos mais que a própria escuridão. Porque esses insetos insistem em debaterem-se nas lâmpadas até a exaustão, quando existe um imenso e adequadamente distante sol divinamente prontificado à iluminação todas as manhãs?

É exatamente assim como esses insetos que eu me sinto quando chega a noite. E por mais que eu saiba que a manhã já vem, enérgico de expectativas, tento me iluminar com essas idéias até me sentir completamente cego. Mas tenho certeza que a vida, seja lá o que for este incrível fenômeno, sabe exatamente o que faz, e por trás de tantos mistérios existe um exato propósito para a existência de cada um de nós.

imagem de Marina Papi